Disseram-me que nasci para ser herói!
Esse tinha sido um sonho apenas
abafado no meio de lençóis
nada de grandes planícies
cheia de exércitos garbosos ou esfarrapados.
Pareceu-me que eu tinha sido o portador do estandarte
vi-me perdido no meio de sangues e berros de dor
queria largar o estandarte, puxar da espada
mas esta estava como que colada nas mãos tintas.
Gritei e urrei levando-o na frente
tinha perdido o cavalo num golpe surtido
os pés chapinando nas poças vermelhas
afinal o sangue era todo igual, nobres e rurais.
Caminhei de joelhos pela noite fora
suores me arrepiavam em olhos cerrados
a luta era minha no meio da algazarra
eu era o herói
não deixara nada para ninguém.
Assustei-me na madrugada
quando o sol se eriçou do nada
e eu olhei.
Estava só, sentado na cama!
Jorge d'Alte

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