terça-feira, 30 de junho de 2026

TERRAMOTO

 


Eu estava mirando o céu
havia estrelas por todo o lado
talvez a lua com o seu fato
lá estivesse cuscando
quando o mundo abanou.
A desgraça tombou, poeiras em véu
e o estrondo num som abafado
trouxe gritos e a ponta de um sapato
levando-me gemendo um apoio buscando
o meu mundo acabou, espatifou-se; acabou
Cidades caíram, qual baralho de cartas
havia feridos de sangue, havia horror na dor
pessoas perdidas de um lado ao outro
como podia haver lágrimas se os olhos não carpiram
se a voz  se sumiu do choque flagrado.
Ouvem-se sirenes tocando fartas
ouvem-se latidos e o voo do condor
pressagiando a morte dessoutro
veio de novo o ruido e o tremer e todos fugiram
sentado olho o céu e não o vejo; cansado.

Só um desejo; esperança
que haja gentes e crianças salvas
que as mentes não adormeçam
que o corpo reaja e semeie  novos sonhos
que a realidade seja esquecida.
O futuro será a tua vingança
que não sejam estradas calvas
novas vidas se entrelaçam e começam
sabores agridoces de medronhos
mirando o céu vi a minha estrela perdida.


Jorge d'Alte


Sem comentários:

Enviar um comentário

COMO GOIVA

  Teu cabelo a adornar o vento setentrião e uma flor quanto do verbo amar te devo dar coração; e se for? O meu rio de prazer aquilo que o be...